Área de parada Michi-no-EkiBiei, Hokkaido
Área de parada Michi-no-Eki Biei “Oka no Kura”
A apenas 3 minutos a pé da estação JR de Biei, o armazém feito de pedra macia de Biei, construído em 1917, hoje é uma área de parada Michi-no-Eki onde você pode comprar comidas de Biei e artigos artesanais. Antes de entrar na loja, chegue pertinho da parede de pedra. Naquela parede com mais de cem anos, há pequenos grãos de luz incrustados.
Em cada estação do ano, conto como foi o dia em que parei por lá.
Primaverafim de abril
A parede de cem anos ainda brilhava
No fim de abril, numa manhã em que ainda restava neve, parei no armazém de pedra em frente à estação antes de dar uma volta pelas colinas. Apesar de já ser fim de abril, o ar que me recebeu ao abrir a porta do sedã ainda tinha aquele frio de inverno, e meus ombros se encolheram sem eu perceber. Resolvi deixar a loja para depois e primeiro dar a volta no prédio.
Eu passava os dedos pela parede cinzenta quando algo cintilou. Será que foi impressão minha? Cheguei o rosto mais perto e vi pequenos grãos transparentes incrustados por toda parte. Devem ser de quartzo. Cada vez que inclinava um pouquinho a cabeça, outros grãos brilhavam, como se a parede piscasse. As pedras empilhadas há mais de cem anos ainda refletem a luz fraca da primavera.
Parece que essa pedra se formou com os depósitos de fluxo piroclástico da erupção do Daisetsuzan. Quando soube que a estação tinha sido construída com a mesma pedra, olhei para trás, na direção da estação por onde tinha passado sem parar, e fiquei com uma pontinha de culpa. A neve das colinas não vai sair correndo, então decidi caminhar os 3 minutos até a estação primeiro e conferir também aquela parede. Sou do tipo que precisa conferir na hora o que desperta minha curiosidade; se não, fico pensando nisso até a noite.
Verãojulho
Croquete ou sorvete: por qual você começa?
Em julho, rodei de moto pelas estradas entre as colinas. Bastava acelerar um pouquinho na subida e o céu se abria; na descida, já aparecia a próxima plantação. Essa sequência era tão gostosa que, quando percebi, já tinha passado e muito da hora do almoço. Estacionei diante do armazém de pedra e, quando tirei o capacete, senti a franja grudada na testa de suor.
Antes de ajeitar o cabelo, meus olhos já foram direto para a palavra “Lanches”. Croquetes feitos com ingredientes de Biei e sorvete expresso. Decidi que escolheria só um, fiquei ali por 1 minuto, mais ou menos, matutando e acabei comprando os dois. O minuto que perdi tentando decidir é que foi desperdício.
Mordi o croquete recém-frito, e a casquinha estalou; o recheio ainda estava pelando. Fechei os olhos e fiquei soprando a cada mordida. Quando consegui engolir, corri para esfriar a boca com o sorvete. Aí senti aquele choque gelado na cabeça e voltei para o croquete. Com as duas mãos ocupadas, fui alternando entre quente e frio; quando dei por mim, o suor de antes já tinha sumido.
Outonofim de outubro
A tigelinha de madeira que me fez ir e voltar 3 vezes
Quando os lariços das colinas começaram a amarelar, voltei a Biei de moto. Assim que tirei o capacete, senti o vento gelado do fim de outubro passar pela nuca, e meus ombros se encolheram. Para me aquecer, entrei primeiro no armazém de pedra. Pelo que soube, a madeira do interior também é de larício de Biei. Enquanto olhava os pilares e o teto, tive a impressão de que a madeira daqui continuava as fileiras amarelas de lariços que eu tinha acabado de ver no perfil das colinas.
Nas prateleiras da loja, havia tigelas de madeira e peças de cerâmica feitas por pessoas com ateliês na cidade. A primeira tigelinha que peguei era bem mais leve do que eu imaginava e cabia certinho nas duas palmas das minhas mãos. Fui até a ponta da prateleira, voltei e repeti o trajeto até completar 3 idas e voltas. Na terceira, admiti para mim mesma que só conseguia pensar na primeira tigela.
Lá fora, ao lado da moto, tirei a tigelinha da sacola e olhei mais uma vez. Sob a luz do outono, os veios da madeira ganharam destaque. Quando voltar para o meu quarto em Tóquio, o que vou colocar nela? Iogurte no café da manhã? Talvez castanhas. As coisas que escolho durante uma viagem trazem de volta até o clima daquele dia sempre que volto a usá-las — por isso, dá vontade de levá-las comigo.
Invernojaneiro
Dia de neve, lámen de milho com manteiga até a última gota
Janeiro. A neve que caiu durante a noite cobria de branco a rua diante da estação. Com meu segundo carro para o inverno, um sedã vermelho com tração nas quatro rodas, entrei devagar no estacionamento e desliguei o motor. Também havia uma camada grossa de neve no telhado vermelho do armazém de pedra. Meus dedos já estavam gelados fazia tempo, e eu já tinha decidido que o almoço seria uma tigela de lámen quentinho antes mesmo de sair do carro.
Lámen de milho com manteiga do restaurante Kōmugi Shokudō. A manteiga derretia devagar sobre o caldo, com bastante milho. A primeira bocada ainda queimava mesmo depois de eu soprar, mas meus hashis não paravam. De olhos fechados, soprei e soprei. Assim que consegui engolir, corri para esfriar a boca com o sorvete. Aí senti aquele choque gelado na cabeça e lá fui eu de novo para o lámen. Com as duas mãos ocupadas, fiquei alternando entre quente e frio; quando dei por mim, o suor de antes tinha sumido.
Quando terminei até o caldo e saí, a neve ainda caía em silêncio. Ao lado do sedã, apoiei a mão na barriga e soltei um longo suspiro. Minha respiração virou uma nuvem branca, subiu e logo desapareceu. Por que será que uma comida quentinha, numa cidade fria, aquece até lá no fundo do corpo?
Os relatos são obras de ficção inspiradas neste destino. Para obter informações precisas, consulte os sites oficiais de turismo e de informação.
Sobre esta área de parada
Originalmente, a Biei Sōko Kabushiki Gaisha construiu 3 armazéns em 1917 para guardar grãos como feijão-azuki e soja. Em 2006, o local ganhou nova vida como instalação municipal e, em 1º de março de 2007, virou uma área de parada Michi-no-Eki. Onde antes se empilhavam sacos de feijão, agora quem está viajando escolhe lembrancinhas. Quando penso nisso, bate uma sensação meio estranha.
A pedra macia de Biei usada nas paredes se formou a partir de depósitos de fluxo piroclástico deixados pela erupção do Daisetsuzan. Ela é conhecida como tufo riolítico, e seus grãos de quartzo podem ser vistos a olho nu. Foi extraída no distrito de Murayama, dentro da cidade, de 1916 até por volta de 1969 e muito usada na construção civil e em obras de engenharia. A estação JR de Biei também foi construída com essa mesma pedra.
O interior tem madeira de larício de Biei, e o segundo andar funciona como espaço para eventos. Ali acontecem exposições de fotografia e mostras individuais de pessoas ligadas a Biei. Depois de ver as colinas com os próprios olhos, também é divertido conhecer Biei pelo olhar de outras pessoas.
O que dá para aproveitar por aqui
Restaurante Kōmugi Shokudō
Aqui você encontra pratos feitos com ingredientes de Biei, como curry em que os legumes da região são os protagonistas e lámen com milho e manteiga. Uma boa pedida para um almoço caprichado.
Lanches
Há sorvete expresso e croquetes, ambos preparados com ingredientes de Biei. É ótimo poder comer com uma mão só enquanto você passeia pelas colinas.
Loja
A loja reúne peças de madeira e cerâmica, produtos agrícolas processados e lembrancinhas que só se encontram aqui. São criações de artistas e artesãos com ateliês na cidade.
Como chegar
São 3 minutos a pé da estação JR de Biei. O endereço é 1-9-21 Motomachi, Biei, distrito de Kamikawa, Hokkaido. Há estacionamento gratuito e um ponto de recarga para veículos elétricos.
Outras áreas de parada pelo caminho
Que tal fazer mais uma parada durante o passeio?