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Diário de rota · 2025-10-24

ROUTE 1 -TOKYO-

ROUTE 1 -TOKYO- cover

Passa um pouco da meia-noite.

Quando ligo o motor, o ar da garagem treme levemente. Ainda não decidi para onde ir. A R246, a Via Expressa Metropolitana ou a Rota 1. Quando saio sem decidir, sinto que a estrada me escolhe primeiro.

A noite em Minato tem um bom ritmo, até no intervalo entre os semáforos. Sinto a elasticidade do banco nas minhas costas e, em seguida, sincronizo minha respiração. Ao segurar o volante, meus batimentos cardíacos são obedientes como um metrônomo. Não olho para os mostradores. Mesmo sem olhar, consigo saber pelo som.

ROUTE 1 -TOKYO- — Diário de rota

Uma massa verde-escura flui do lado de fora da janela, e a presença do Parque Shiba se aproxima. O vermelho de sua estrutura de aço ergue-se reto na noite; a Torre de Tóquio é honesta, como sempre. Dou apenas um toque na seta e deslizo para a faixa que passa ao lado da torre. Sem dizer em voz alta, canto baixinho na minha cabeça. "Route 1, Tokyo—let's go."

Mita, Takanawa. Meu carro reflete duas vezes nos vidros dos prédios e, na segunda vez, eu estou um pouco mais rápida. Toda vez que uma placa se aproxima, eu dou um leve aceno de cabeça. É um hábito. Não consigo evitar. Quando passo pela seta apontando para Shinagawa, o metrônomo no fundo do meu peito se adianta em uma única batida.

Entro na Rota 1. Reto, um pouco para a direita, reto de novo. As linhas brancas parecem notas musicais. Eu canto com o pedal e marco o compasso com os postes de luz. "Smooth and steady, in control." São letras que eu mesma escrevi, mas que combinam incrivelmente bem com a noite no centro da cidade.

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Três semáforos continuaram verdes, um após o outro. Agradeço devidamente a todos os três. Eu sou meio distraída, mas dou valor à educação. Educadamente, mas sem hesitar, engato mais uma marcha. Abro a janela apenas dois centímetros, e o vento noturno deixa um bilhete na minha bochecha.

Atravesso a Ponte Yatsuyama. As sombras da fiação suspensa caem na diagonal e, ao longe, os freios de um trem de carga gemem num tom grave. As luzes de Keihin se borram, e a direção do mar fica clara. O GPS continua recitando sua rota recomendada, mas eu aceno com a cabeça para um caminho diferente. A resposta certa se decide enquanto dirijo. É sempre assim.

Com a garganta seca, pego uma garrafa pet no porta-objetos da porta. Giro a tampa, parando-a em meia volta. Dou um gole e olho para fora. As palavras "Sentido Yokohama" brilham com destaque no canto superior direito da placa.

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A cor desta noite é, provavelmente, azul. O azul que se abre em direção ao mar. Mas a cor da próxima história, eu ainda não decidi. O branco da neblina ou o branco das águas termais — não, talvez não seja branco, afinal. Algo sem cor, algo transparente. Guardo apenas esse palpite no bolso interno do meu peito.

Coloco a garrafa de volta no porta-objetos da porta. Achei ter ouvido um leve "clique", mas ele logo foi engolido pelo som do motor. Seguro firme no volante novamente e deslizo o carro para dentro dos contornos da noite. As luzes da cidade ainda estão bastante em estéreo, e o metrônomo está de bom humor.

Vou continuar assim rumo ao mar. Quando a noite tocar a borda da manhã, certamente estarei em uma longa reta. Qual era a cor da história a partir dali, eu logo saberei. — Talvez não seja uma manhã branca, mas transparente.

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